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domingo, 20 de novembro de 2011

Cadê o novo?


Mais do mesmo. Essa foi a conclusão ao ouvir as músicas vazadas da Rihanna nas últimas semanas. Este não é um review  do mais novo CD da cantora. Pelo contrário, este é um texto sobre o cenário Pop atual.

Sempre gostei do Pop porque ele permitia tudo. Permitia com que você misturasse o rock com música eletrônica, o country com o reggae e assim vai. Sempre gostei do Pop porque ele me parecia ser um sujeito sem preconceito, aceitando todos aqueles que queriam divertir os outros.

Mas a indústria – ah, sim a indústria, aquela que faz com que o Pop se altere a cada minuto – fez com que o Pop entrasse num caminho sem volta. Primeiro foi a Madonna, trazendo lá da Europa batidas bem diferentes daquelas que estávamos acostumados a ouvir em “Like a virgin”. Gostamos do namoro dela com a música eletrônica, e parece que a indústria – formada pelos empresários de paletó e gravata, sustentados pelas grandes gravadoras – também gostaram de que nós gostamos disso. Atentem para essa fórmula: música eletrônica no Pop + fãs que adoraram a mistura = dinheiro para gravadoras e empresários.

Depois disso fomos invadidos com batidas eletrônicas pela Britney em “Blackout”. Aí foi um pulo para que no final da primeira década do século 21, tivéssemos Lady Gaga, Rihanna, Kesha, Katy Perry e tantas outras.

É fato que quando elas apareceram todas nos mostraram algo diferente do que estava sendo produzido (bem por isso chamou nossas atenções). Contudo, o problema tem até nome: “segundo CD”. Para alcançarem cada vez mais sucesso, e com isso darem lucro às gravadoras, elas precisavam vender ainda mais. E porque mexer em time que tá ganhando? E lá vai mais uma rodada de música eletrônica.

Em primeiro lugar, sei que gravadoras são empresas, e por isso precisam lucrar. O problema é que cantores não precisam disso. Cantores, antes de tudo, são artistas. Eles que movimentam a cultura Pop. Não é basicamente a indústria. O próprio Pop-Art, que por vezes é misturado com a cultura pop, veio exatamente para esculachar com essa indústria. Por que as cantoras agora precisam abaixar as cabeças e fazerem de tudo para vender sem pensar na sua arte?

É fato que Cds como “Born this way”  da Lady Gaga traz de novo um respiro ao encontrar mais elementos que não sejam música eletrônica. Mas ainda sim, o perigo do Pop se tornar música eletrônica ainda existe.
Não sou contra a música eletrônica no Pop, e acho que o estilo tem tudo haver com a música. O problema é que o Pop não é só música eletrônica. É mais. É country, é blues, é R&B, é jazz, é rock, é samba, é clássico, é indie, é tudo.

Sim. Quero coisas novas. Quero me surpreender. Quero me espantar. Quero dançar ao som de eu que nunca tenha ouvido. Mas para isso artistas e fãs precisam se desprender da quantidade que está sendo vendido e deixar que a mente absorva novas fontes de ideias. Caros, deixem os números com as gravadoras e let’s have fun.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Opinião: Ainda dá tempo pra reinventar a roda?


Neste primeiro semestre já passamos pelos lançamentos dos principais nomes do circuito pop atual (ou os mais comentados, como queiram).  Agora o mundo se prepara para ouvir o próximo álbum da Rainha do Pop. Já vazaram até imagens de pessoas que cruzaram a casa de Madonna e ouviram algumas músicas (ainda penso que era a empregada da Madonna fazendo faxina, mas...). Os fãs já logo balburdiaram que esse CD seria revolucionário. Até a própria cantora falou isso. Depois de algumas especulações foi confirmado que os produtores de Rihanna e Katy Perry iriam participar do álbum. E aí deixo a pergunta que me veio à cabeça logo ao acordar: será que existe revolução usando produtores que já fizeram outros hits? Será que ainda é possível inventar e revolucionar o mundo da música?

Particularmente não acredito em revolução. Acredito, sim, em reinvenção. Posso pagar com a língua sobre o que vou dizer, mas penso que o álbum de Madonna trará músicas dançantes, com alguns versos chicletes e talvez uma ou duas faixas trazendo produtores novos que misturam alguns sons diferentes. Não espero nada a mais. O primeiro fator é que é difícil alguma gravadora se arriscar no momento em que estamos, onde a indústria fonográfica já não sabe mais como vender suas músicas (mesmo com Eminem e Adele batendo recorde em vendas digitais). E o segundo fator é que o mundo Pop nada mais é do um reflexo de todo o comportamento da sociedade.

Para entender melhor esse segundo fator, o leitor precisa percorrer o meu raciocínio e assim perceber como as coisas estão ocorrendo. Então, vamos lá!

Quem estuda história - ou se interessa ao menos - já percebeu que as nossas civilizações gostam de repetir fatos. São guerras, acordos, crises, todos com contextos parecidos. Se não há contexto parecido, o modo como os fatos acontecem possui alguma semelhança. Ou quem não se lembrou do Crack de 29, quando em 2008 os Estados Unidos passou por aquela crise que tem reflexos até hoje? Muito disso acontece porque pensamos que se algo já deu certo, pode dar novamente. É o que acontece com as apostas em cassinos, por exemplo.

Assim, não só a política e a economia aproveita isso, como a moda também usa dessa repetição para evoluir. Ou alguém, há dez anos, pensaria que estaria usando aqueles óculos enormes que só víamos nos filmes dos anos 50-60? E as famigeradas pantolonas? E a cintura alta? E os colares enormes? E os cardigans? E os sapatos meia pata? E os peep toe?E as ankle boots? É claro que não usamos todas essas peças como as nossas mães e avós usavam. Finalmente, chegamos ao ponto em que eu queria. A moda simplesmente está se reinventando, buscando no passado as coisas que deram certo e adaptando às situações em que vivemos. Os anos 80 eram coloridos? Ok, vamos ser coloridos também: mas agora mais vibrantes como nunca!

É importante entender esse ponto: não há cópia de algo que já existe, e sim reinvenção daquilo. Usamos todas essas peças com outras roupas que se antigamente usássemos seriamos as “pessoas fora de moda”. Reinventamos o que usamos por um simples pensamento que a nossa sociedade adquiriu: porque jogar fora algo que podemos usar ainda? E assim, a caixa do feirante vira uma linda estante, ou quem sabe, uma mesinha de cabeceira. Reinventamos para poder reciclar. E reciclamos para poder viver no mundo em que estamos.

E assim voltamos ao começo do texto. O mundo pop, incluindo a música é esse reflexo. Já foram tantas coisas boas, por que não usá-las novamente? E o mais importante, se divertir com essas coisas?

Sei que muitos fãs gostariam que seus artistas fossem originais, os criadores da roda. Mas, não é bem assim que acontece. Um exemplo é Beyoncé que pregou o seu nome no mundo pop com o vídeo ‘Single Ladies’. A coreografia, copiada por vários em todo o planeta, nada mais é do que uma releitura – mais rápida – de outra coreografia do anos 70 (como você por ver neste post). A mesma cantora bebeu (e muito) dessas cantoras dos anos 60-70 para compor o álbum “4”, seu mais recente lançamento. Um exemplo é a faixa – que eu adoro, particularmente – “Love on Top”.

Mas não só Beyoncé bebeu da fonte. Britney bebeu da música eletrônica da Ke$ha, que por sua vez, apostou na música eletrônica que já estava dando sinais de sucesso com Lady Gaga. Esta usou de várias fontes: David Bowie, Cher e a mais apontada, Madonna. Inclusive muitos fãs da última acusam a todo o momento que a Lady Gaga copia totalmente a Madonna. O que muitos esquecem é que Madonna surgiu ao mesmo tempo em que a veia pop de Michael Jackson surgia. A rainha bebeu da fonte do rei também (aliás, quem não beberia?).

O que quero deixar claro é que nenhum desses artistas são desmerecidos de sua arte. Madonna (antes que me ataquem) deixou sua contribuição por ousar, por ter a coragem de ousar, coisa que poucos tem culhão para fazer. Mas o fato é que a reinvenção é algo natural da sociedade.

No fim, não há medidas de qualidade de artistas. Há artistas que não tem talento e outros que tem talento. Tanto talento que conseguem tomar para si um passo usado no filme “Cabin in the Sky” (1943). Não é, Michael Jackson?

terça-feira, 28 de junho de 2011

Opinião: "4", novo álbum de Beyoncé

Antes que comece a ler esse texto, o leitor precisa ter em mente algumas coisas: primeiro Beyoncé é uma cantora de R&B, não de música pop. Segundo, ela tem influências diretas de Whitney Houston, Mariah Carey e Aretha Franklin. Terceiro, ela possui um pezinho no hip hop. Depois disso em mente vamos ao texto.



Quando ouvi “Run the World (Girls)” já imaginei que poderia esperar algo muito diferente do novo CD de Beyoncé. E de fato isso aconteceu. Mas não do modo como eu pensava. Se no seu terceiro disco, Beyoncé nos mostrou Sasha Fierce, agora com o “4” ela quer escancarar a Beyoncé que existe nela. E escancarou.

Tudo começa com “1+1”. Uma balada linda. E que é sustentada pela voz poderosa de Beyoncé. Para mim, nem precisaria de baixo e piano, só a voz me bastava. É obvio que pra quem esperava um disco repleto de batidas dançantes se espantou com essa faixa. E pode ter certeza: irá se espantar com todo o resto.

Com “I Care” ela traz uma nova balada com uma batida muito empolgante. Uma voz implacável, digno de cantoras de R&B. Confesso que “I miss you”, terceira faixa do CD,  não é uma das minhas favoritas, mas acompanha a ideia do começo do CD: músicas que expressam sentimentos através de vozes que só cantoras de R&B podem expressar.

Chegamos numa zona onde se tentou criar algo para emplacar o álbum na Billboard, mas acabou falhando. “Best Thing I Never Hand” é a mais comercial do CD, o que explica ter sido lançado como single. Apesar do vocal poderoso e do backing vocal muito bem marcado, ainda não é uma das melhores faixas. “Party” talvez seja uma das piores músicas do CD. Uma tentativa de criar algo comercial com participações que chamam a atenção (Kanye West e Andre 3000), mas sem sair do R&B. Sinceramente a indústria não quer R&B, por isso foi uma tentativa em vão.

Mas os próximos acordes aliviam a nossa alma e voltam àquela Beyoncé com o vocal poderoso. A batida “Rather Die Young” acompanha muito bem a voz da cantora, além marcar toda a melodia. Mas aí vem a fraca “Start Over”. Beyoncé carrega bem a música (aliás, é a voz dela que faz a música ser bem menos chata), mas a melodia deixa a desejar muito. Fraca, não parece nem romântica, nem dançante. Talvez foi uma tentativa de colocar algo dançante em R&B. Não deu certo.

Mas “Love on Top” salva nossos corações. Beyoncé simplesmente volta aos anos 60/70 trazendo um R&B digno de se chamar de R&B. Lindo, lindo, lindo. Amei essa faixa e canto e danço junto com ela. A voz está linda. A melodia está linda. Quando a ouço me remeto logo ao tempo onde todos usavam a famigerada pantalona e dançavam nos embalos de sábado à noite. É... Acho que deu pra notar que gostei muito desta faixa.

Muitos já disseram que gostaram de Countdown. Eu simplesmente não sei o que dizer sobre essa faixa. Apesar de trazer uma melodia um pouco mais dançante (e talvez seja isso que fez com que vários gostassem) ela foge um pouquinho daquilo que o álbum estava propondo. Mas não é uma faixa ruim. Mas também não é boa. Diria que é uma preparação para o que virá.

“End of Time” seja aquilo que todos esperavam de todo o CD. Uma faixa dançante, com uma batida muito boa. E diferente. Eu gostei muito da faixa. Muito mais do que “Run the World”.

E quando você pensa que a próxima será finalmente a faixa do clipe, Beyoncé surpreende com “I Was Here”, novamente uma balada muito boa. Quando comecei a ouvir a música, jurei estar ouvindo uma daquelas músicas que aparecem no fim de cada episódio da série Arquivo Morto. É a música mais dramática do CD. Digna de trilha sonora.

E aí, finalmente vem a conhecida “Run the World”. Não preciso dizer muito sobre a faixa, né? Batida dançante, refrão contagiante e de novo tem um clipe que dá vontade de imitar a dança.

Enfim, o CD “4”, lançado hoje no Brasil, não é um dos melhores de Beyoncé. Ele possui alguns erros, mas também existem grandes acertos. Acredito que os erros aconteceram por causa da preocupação em se vender o disco. É visível os acertos nas músicas que trouxeram uma Beyoncé dramática, romântica e com um vocal poderoso. Também é visível o erro quando tentaram trazer uma Beyoncé um pouco mais comercial e dançante. Apesar de gostar muito de “End of Time” e “Run the World”, achei que as faixas ficaram perdidas no CD. Estariam muito bem no Bonus Tracks que há no CD Deluxe. E transformariam em um Bonus Tracks poderoso. Talvez a Beyoncé dançante que todos pediram esteja lá. É lá que a Sasha Fierce está. Assim, acredito que o melhor seria fazer um CD Beyoncé R&B, trazendo “Dance For You” do Bonus Tracks, e um CD Beyoncé Dance (ou Night, se preferir), colocando “End of Time” e “Run the World” nessa parte.

Bayoncé mostrou que é possível fazer um CD com músicas de qualidade que não sejam somente dançantes. Mas ela errou quando teve medo de transformar todo o CD em R&B. Tentou encaixar algo que agradasse a massa, mas acabou sendo ignorada por eles. Ou pior: foi dita como flopada, como se lançar esse álbum fosse um erro. Mas o bom disso tudo é que temos uma Beyoncé mais madura e que, com certeza, se revelará ainda mais nos próximos anos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Opinião: Impressões sobre o clipe "I Wanna Go" de Briney Spears


Durante essa madrugada foi lançado o clipe da música “I Wanna Go”, terceiro single da cantora Britney Spears. Veja:


Assisti logo que foi lançado, e ao ver e ouvir aquela caneta escrevendo me remeteu logo ao “...Baby, one more time”. Seria algo parecido?  Mas o sapato de salto com spikes do Louboutin denunciava que aquela Britney, por mais que tivesse um rosto angelical, não era tão angelical assim.  Isso se revela quando vemos a Britney mandar todos os repórteres se foderem. Apesar de saber que essa cena serviu como parte de um desabafo da cantora, achei a cena forçada. Britney não estava natural, estava fingindo mandar eles se foderem. Ainda assim a cena ficou interessante.

E aí entra a parte em que está gerando comentários. Britney aparece com uma roupa que lembra muito a Avril Lavigne de “Girfriend”. De fato, logo que vi capa do single (tirada em meio às gravações do clipe) já imaginava esse tipo de roupa. Mas acho que não foi colocado para parecer Avril, mas sim para trazer aquele ar de menina-moça que precisa colocar pra fora aquilo que sente. Que por sinal, é isso que a música quer dizer: colocar pra fora todos os desejos (principalmente os sexuais) para fora.

E é isso que Britney faz durante o clipe. Aperta o bumbum do fã, solta beijinhos, faz topless, paquera o policial gatão e quebra a câmera do paparazzi, tudo de uma forma leve e divertida.

Chegamos então à cena do teaser que alvoroçou tanto os fãs, quanto àqueles que curtem música pop. Britney sobe em cima do carro e resolve bater nos paparazzi com o microfone. Quando vimos teaser ficamos com a expectativa do que viria. Descobrimos então que os paparazzi são cyborgs. É aí que o clipe se estraga, em minha opinião. Acredito que esses cyborgs foram colocados para justificar a risadinha no final do clipe em homenagem ao Michael Jackson. É a única justificativa plausível. Não há uma historinha com os cyborgs. Eles simplesmente estão lá enquanto Britney curte e foge. Aliás é nessa fuga que vem a cena mais bizarra. O cara que a ajudou na fuga joga leite em cima dele (?). Porque uma pessoa faria isso?

Mas destaco nessa cena da fuga a Britney, que está linda e finalmente de uma forma natural dançando no carro. Faz a gente dançar junto. E confesso: dancei nessa parte.

E depois do leite derramado ela descobre que aquele homem é na verdade um cyborg. É quando voltamos à coletiva mostrada no início do clipe. Tudo era um devaneio de quem não aguentava mais aquilo. Porém, quando um cara sai junto com ela, descobrimos que aquilo poderia não ser um sonho.

Britney está inegavelmente linda. E o clipe é realmente para ser divertido. E cumpre, apesar de conter coisas sem nexo nele (o que talvez faz ele ser ainda mais divertido). Como várias pessoas, senti falta de uma pequena coreografia, porém acho que foi acertado a ideia de colocar a Britney dançando no carro, fazendo assim, com que não se tenha a necessidade de uma coreografia. O único erro foi não ter explorado ainda mais a história dos cyborgs, tentando desenvolve-las, porque foi exatamente isso que fez com fosse criado expectativas. Do mais, acredito esse ser o melhor clipe dessa fase Femme Fatale. 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Opinião: Clipe "The Edge of Glory" de Lady Gaga

E ontem Lady Gaga lançou o clipe "The Edge Of Glory", faixa que fecha o CD 'Born This Way':



Tão logo saiu, começou a chover gente falando 'não gostei'. Uns disseram que foi simplista demais, outros que não tinha roteiro. O fato é que poucos gostaram do clipe.

Particularmente, não vejo muito nesse clipe a não ser a função de promover o single (que para mim nem precisaria ser promovido, porque todas as rádios já tocam e já está se tornando uma música facinha de ver em vários programas na TV). E como eu já falei em um post anterior, pra mim ele cumpre muito bem o papel de fechar todo o CD. Além disso, depois do comercial feito para o Chrome, achei que ia aparecer mais motos e ação. Porém, não há nada disso. Há apenas uma Lady Gaga (ou nesse caso a Stefani?) dançando e curtindo a música.

Mas talvez o legal do clipe esteja no clima em que ele foi apresentado. Depois de nascermos (de um jeito bem nojento, diga-se de passagem) e vivermos uma verdadeira via crúcis em Judas, agora paramos e voltamos aos longínquos anos 80, onde a preocupação não era fazer um clipe contando a história de ninguém, mas sim fazer um clipe curtindo a música. E isso ela faz muito bem.

Concordo que deveria haver mais coreografia, deveria haver mais cortes, deveria haver mais agitação. Mas não há. E nem por isso a música deixa de ser brilhante. Acho que quando falamos de Lady Gaga a gente espera sempre algo grandioso. Se ela vir simples, do jeito que ela é, nos decepcionamos e achamos que ela precisa fazer mais. Mas na verdade não é ela que precisa fazer mais, somos nós que precisamos rever alguns conceitos.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Opinião: Compondo um hit

E nessa semana os fãs de Britney Spears estão querendo matá-la. Por quê? Ela deu a canção '"Whitplash", composta por ela, para a pop teen Selena Gomez. Resultado: ficou ótimo na versão dela. Mas não é a primeira vez que um compositor coloca nas mãos de outro uma grande promessa de hit. Ke$ha fez isso com Britney, mesmo sabendo que "Till The World Ends" seria sucesso. Em sua entrevista à New York Magazine, ela disse que isso serviu como uma atestado de boa compositora, isto é, ela não é apenas uma cantora que canta bem, mas também é uma criadora de hits. Aqui no Brasil, recentemente tivemos a mesma situação com a famosa "Fugidinha". O que era pra ser uma composição para preencher CD, se tornou um hit que impulsionou a carreira de Michel Teló (e deixou a carreira de Rodriguinho, o compositor, abandonada lá nos anos 90).

Mas como saber que aquilo que você compôs será um hit? Como ter certeza que irá fazer sucesso? Muitos garantem que um refrão chiclete - aqueles bem fáceis de decorar e que não saem da cabeça - são essenciais para obter um bom resultado. Concordo com isso e vou mais além: uma boa produção e uma melodia bem marcada ajudam, e muito na música, principalmente se ela for do gênero pop. 

No caso de Ke$ha acredito que ela tenha feito uma ótima escolha, já que ela está ainda traçando os trilhos. Já  Britney talvez tenha desperdiçado um grande trunfo da carreira. De acordo com alguns sites, Britney irá cantar apenas 40% das músicas na sua nova turnê, além do mais ela não está em sua forma antiga, há uma nova Britney que dança, mas não do mesmo jeito que em 2001. Começar a compor suas próprias músicas e gravá-las faria com que Britney não perdesse o seu posto. O problema está em uma cantora que quase não canta (gosto muito da voz dela, pena que a gravadora não tem a mesma opinião) e que agora quase não dança direito. Se ela não faz isso, o que ela faz em cima de um palco? Por isso se firmar como compositora a deixa ainda por cima. Ela continua uma popstar, ela continua dando contribuições ao gênero e quem sabe podendo até o modificar.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Opinião: Quando um álbum é vazado



Com o vazamento do álbum “4” da Beyoncé surgiram vários comentários, fofocas e especulações. Primeiro quem ouviu o álbum disse que logo não iria vender e seria o fiasco da carreira da cantora. Depois começaram surgir várias opiniões favoráveis ao CD, dizendo que ela continuou ser ela. E agora a mais nova especulação é o desejo da gravadora de adiar para setembro o lançamento do álbum.

Primeiramente, acredito que o adiamento do álbum não iria fazer nenhuma mudança nas prováveis vendas do CD. Talvez se fosse lançado no natal, onde a especulação de consumo é maior, o adiantamento teria algum sucesso. Por agora, nada adiantaria.

Mas o que fazer com um álbum que vazou três semanas antes do lançamento? Bem vindo ao dilema das gravadoras. O álbum do Eminem,  “Recovery,” vazou duas semanas antes do lançamento. O de Britney Spears, “Femme Fatale”, também teve esse mesmo tempo. Já Lady Gaga foi mais eficiente, a menos de uma semana do lançamento, “Born this Way” já estava na internet. Esse dilema é impossível de se resolver. Talvez o único modo seja na impressão do CD, já que muitas vezes é por ali que se consegue a cópia (um exemplo é o vazamento da prova do Enem em 2009).

O fato é que vazado o álbum acredito que lançamento precisa ser antecipado, para que as pessoas que provavelmente iriam comprar não tenham tempo de baixar as músicas e acabar não comprando. Infelizmente, não dá mais pra depender de álbum pra ficar milionária. O fato é que os artistas precisam entrar em turnê, por mais custos que tenha. Não há outro jeito a não ser botar a mão na massa. E quando se tem um nome com muita força, o que é o caso da Beyoncé, a turnê parece ser a única saída.

Quem é fã compra o CD, quem tem dinheiro vai comprar o CD, quem é nostálgico, vai comprar o CD físico. A pirataria está aí. Não é tirando o link ou queimando CDs pirateados que se termina com isso. Apenas com vigilância, uma cultura de consumir produtos culturais e uma carga de imposto mais leve que a atual pode trazer algum resultado.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Opinião: "Bang Bang Bang" de Selena Gomez e "Party" de Beyoncé

Dois lançamentos agitaram o mundo do pop hoje pela manhã. Selena Gomez com "Bang Bang Bang" e Beyoncé com o vazado "Party". Vamos aos comentários:


Selena usou e abusou da batida eletrônica como várias divãs vem usando. Particularmente, ela é uma das poucas da lista que soube usar esse meio sem se tornar uma nova cantora da música eletrônica. O vocal está ótimo e acredito que é isso que ajuda a medir a música eletrônica com o pop. Enfim, a música é boa, é dançante, é ótima para se jogar na balada. Mas, desculpe fãs, ela não trouxe nenhuma novidade, apenas uma boa música.

Ouça "Party" de Beyoncé aqui.

Já Beyoncé nos surpreende a cada faixa, né? Dessa vez ela ataca com uma balada que é bem a cara dela (não sei porque, mas me lembrei de Ego, faz sentido?). Juro que quando vi o nome esperava algo mais parecido com "Run the World", mas gostei do que ouvi. Dos singles vazados apenas o primeiro traz algo diferente. Todos os singles já divulgados trazem a Beyoncé que já conhecemos: divônica e poderosa. Outro single muito bom, mas sem novidades.



O que li pela manhã dos fãs é a grande preocupação do CD flopar. Sinceramente, se os fãs comprarem o CD e divulgarem, ele não irá flopar. A Beyoncé que está sendo apresentada nesse álbum é a Beyoncé que todos conhecemos, com sua música e sensualidade. Claro que ao ouvir "Run the World" todos nós esperávamos algo super dançante alá Beyoncé feat. Axé. Mas o que ela está apresentado é ela mesma. A que sempre foi. Por isso que digo que quem é fã, vai gostar do que foi apresentado. 

É claro que para um CD ser sucesso precisa muito mais do que os fãs. Mídia e divulgação talvez seja os principais requisitos. Tá aí Lady Gaga que não nos deixa mentir. Claro que depois de "Single Ladies" fica difícil, pois se superar é muito difícil, ainda mais se o que você fez anteriormente foi um dos clipes mais copiados de todos os tempos. Acredito que o importante para um artista não é gravar algo para ficar nas paradas de sucesso, mas sim poder se expressar, mostrar ao mundo quem ele é, seus sentimentos, suas angústias. Lembrem-se: quem pensa em parada de sucesso é gravadora, e gravadora não é arte!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Opinião: "Born this way", Lady Gaga (UPDATE)


Estranho. Muito estranho. Essa é a primeira impressão que tive ao ouvir pela primeira vez o novo CD de Lady Gaga, “Born this Way” -  ou como apelidaram carinhosamente os little monsters, o “BTW” – que está sendo lançado hoje (23).  Mas lembrem-se! Estamos falando da Mother Monster, e normal o CD não poderia ser.

É preciso ouvir mais de uma vez para poder conseguir perceber todos os detalhes. Muito rock, muita batida do leste europeu, muito anos 90, muita mistura e tudo pedindo para que nos libertamos.

O CD começa com a faixa ”Marry the Night” que abre muito bem todo repertório nos mostrando aos poucos cada batida. Depois dela vem a já muito conhecida "Born this Way" convidando a nos libertar. A faixa que ficou super polêmica ao ser comparada com “Express Youself” é uma das melhores do CD , na minha singela opinião. Logo em seguida, a sensação de já ter ouvido aquilo em algum lugar começa a se transformar na estranheza dita no início do texto. Uma introdução macabra que é quebrada logo com uma forte batida que mistura o leste europeu com o início dos anos 90: é assim “Goverment Hooker”, a terceira faixa do cd. Ouso dizer que essa faixa ficaria super bem cantada pela personagem de Cláudia Ohana, a Natasha, da novela Vamp.

A quarta faixa é a outra polêmica da Lady Gaga, “Judas”, que todos também já conhecem. Comparando com as próximas músicas do CD, ela é uma das mais fracas, contudo, possui um dos refrões que mais chegam naquilo que nós conhecemos como refrão-chiclete, algo que não é muito presente no álbum. 

A próxima é a “Americano”, uma pequena homenagem aos latinos que vivem nos EUA , além de servir como uma crítica ao estado do Arizona. A faixa mistura novamente batidas do leste europeu, mas agora com uma pitada latino-americana (estou até agora tentando lembrar onde ouvi aquele som latino) , e tem até a Lady Gaga arriscando no espanhol. É uma faixa praticamente Espanglês.

“Hair”, a sexta faixa do CD, é o tipo de música que eu penso que mais se aproxima do pop que eu imagino. Traz além de uma batida dançante, um saxofone muito bom, além de um aha que faz você cantar junto. Uma das faixas que mais gostei do álbum.

Na sétima faixa, ”Scheiße”, a estranheza volta. Ela traz novamente os anos 90 que é ótima pra dançar, além, de um refrão igualmente dançante, e com ho-ho contagiante. ”Bloody Mary” começa com uma música bem conhecida para quem joga The Sims 3. Sabe aquela música do ladrão quando invade sua casa? Pois é. A faixa começa assim. E continua numa melodia que lembra os anos 90. Até que você chega num pedaço e jura que é a Madonna cantando num monastério. Será que os efeitos demais me fizeram viajar? Ah, ela termina com a mesma musiquinha do começo.

E agora começa a revelação roqueira do cd. Se antes o rock estava lá, mas estava escondido, em “Bad Kids”, a décima faixa do cd, ele começa aparecer logo início, mas logo dá lugar a mais uma batida super dançante. Essa faixa não possui muita coisa a se dizer, não traz nenhuma surpresa a não ser o começo. Muitos fãs apontaram faixa como uma forma de preencher o cd.

“Highway Unicorn (ou Road 2 Love) ” é mais uma das faixas que Lady Gaga começa logo cantando. A batida dançante do leste europeu está lá para se juntar aos anos 90 da Lady Gaga. No finalzinho temos de novo a sensação de estar sendo gravada dentro de um monastério. Mas agora é Gaga que está cantando mesmo.

“Heavy mental Lover” é super dançante e te leva novamente ao leste europeu, e traz um uhu super legal de cantar junto. É música para se jogar na boatchy.

Se Lady Gaga tivesse aceitado ir no Rock in Rio e cantasse “Eletric Chapel”, com certeza seria a cantora pop mais rockeira do festival. Primeiro você acha que seu player enlouqueceu e começou a tocar Guns N’Roses. Mas a confusão logo termina quando a batida dos anos noventa aparece e traz Lady Gaga cantando. Por toda a faixa você consegue perceber como Lady Gaga flertou muito com o Rock. Ouso dizer que ela chegou a levar o Rock para fazer um ménage à trois com os anos 90 dentro do monastério (os sinos tocando no final são um grande sinal!). Recomendo muito aos amantes do Rock – gente ela até faz um solo com batidas dançantes!

E a próxima é a fofinha “You & I”. Traz um tecladinho bonitinho, bom batidinhas muito singelas, além de novamente trazer o rock. Mas a mistura foi tanto, que em um ponto da música eu jurava estar ouvindo Shania Twain ou Lady Antebellum. Mas é claro que estamos ouvindo Lady Gaga! Referências existem, mas ela coloca sua marca impressa em todas as músicas que toca. E nessa não seria diferente. E aos rockeiros: tem solozinho aqui de novo!

E chegamos à última faixa, não menos estranha. “The Edge of Glory” que já está sendo trabalhada pela cantora (virou até comercial do Google), traz o pop misturado com as batidas já familiarizadas. Uma das minhas preferidas, e acredito que cumpre muito bem com o papel de fechar o álbum, reunindo nela tudo que já ouvimos até aqui. E trazendo um saxofone que faz lembrar muito o Kid Abelha dos anos 90 e muito gostosinho de se ouvir.

Born This Way definitivamente não é um CD vendável. Isto é, um CD feito apenas para vender. Se Lady GaGa pede para que nos libertemos, ela mostra com esse trabalho que qualquer libertação pede ousadia. Ousadia que ela teve e muito para lançar um CD que traz elementos já conhecidos, com uma estética que não agrada a maioria, e com uma sonoridade singular. Não é por nada que o CD está tendo uma divulgação enorme. Acredito que a gravadora esteja receosa deste trabalho prometer muito, mas vender pouco. A Billboard já se pronunciou: disse que há grandes chances deste álbum ultrapassar a marca do álbum 21 de Adele, o mais vendido do ano. Mas são apenas suposições, resta esperar as próximas semanas.

Se alguém me perguntar se esse CD é essencial para uma coleção de CDs do pop, eu diria que sim. Penso que a partir desse álbum teremos uma Lady Gaga mais madura e trazendo trabalhos ainda mais complexos.” Born this Way” foi apenas o começo do que ainda virá.


>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>UPDATE<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<


Com o lançamento oficial, surgiram mais três músicas: "Black Jesus - Amen Fashion", "Fashion Of His Love" e "The Queen". Acredito que elas são as mais pessoais do CD. Extremamente com a estética do pop (puxando num pop misturado dos anos 90 com o feito no começo dos anos 2000), as três faixas mostram todas as crenças e sentimentos de Lady Gaga.


Confesso que esperava mais das três músicas, mas nenhuma delas me impactou tanto quanto “Eletric Chapel”, ”Bloody Mary” e  “You & I”. A segunda inclusive não me sai da cabeça há uma semana.


É claro que quem ouve essas faixas vai achar algo de Madonna. Sim ela procurou o Pop do começo dos anos 90, e que será que bombou naquela época? "Black Jesus - Amen Fashion" vem com essa cara de Madonna, mas ao mesmo tempo nos situa no século em que estamos. Essa faixa, em particular, traz a crença de Lady Gaga e aquilo em que acredita.


Mas em "Fashion Of His Love" ela conseguiu a proeza de misturar Madonna e Cyndi Lauper. Mais um faixa pop que agora lida com a idéia que a cantora tem da moda.


Antes de ouvir "The Queen" li muito sobre essa faixa. Muitos elogiaram ela bastante e eu tive expectativas que como viram anteriormente, não foram alcançadas. Apesar de trazer uma mensagem bem legal de confiança ela se iguala as outras duas por causa batida. O único diferencial é a guitarra quase no fim, dando a sensação de que Santana está fazendo participação especial. 


Enfim, as três faixas acrescentadas são realmente um bônus para quem tem o CD original, mas acredito não serem tão surpreendentes quanto o resto do CD. Aliás, essas são as faixas mais "normais" do disco.