segunda-feira, 23 de maio de 2011

Opinião: "Born this way", Lady Gaga (UPDATE)


Estranho. Muito estranho. Essa é a primeira impressão que tive ao ouvir pela primeira vez o novo CD de Lady Gaga, “Born this Way” -  ou como apelidaram carinhosamente os little monsters, o “BTW” – que está sendo lançado hoje (23).  Mas lembrem-se! Estamos falando da Mother Monster, e normal o CD não poderia ser.

É preciso ouvir mais de uma vez para poder conseguir perceber todos os detalhes. Muito rock, muita batida do leste europeu, muito anos 90, muita mistura e tudo pedindo para que nos libertamos.

O CD começa com a faixa ”Marry the Night” que abre muito bem todo repertório nos mostrando aos poucos cada batida. Depois dela vem a já muito conhecida "Born this Way" convidando a nos libertar. A faixa que ficou super polêmica ao ser comparada com “Express Youself” é uma das melhores do CD , na minha singela opinião. Logo em seguida, a sensação de já ter ouvido aquilo em algum lugar começa a se transformar na estranheza dita no início do texto. Uma introdução macabra que é quebrada logo com uma forte batida que mistura o leste europeu com o início dos anos 90: é assim “Goverment Hooker”, a terceira faixa do cd. Ouso dizer que essa faixa ficaria super bem cantada pela personagem de Cláudia Ohana, a Natasha, da novela Vamp.

A quarta faixa é a outra polêmica da Lady Gaga, “Judas”, que todos também já conhecem. Comparando com as próximas músicas do CD, ela é uma das mais fracas, contudo, possui um dos refrões que mais chegam naquilo que nós conhecemos como refrão-chiclete, algo que não é muito presente no álbum. 

A próxima é a “Americano”, uma pequena homenagem aos latinos que vivem nos EUA , além de servir como uma crítica ao estado do Arizona. A faixa mistura novamente batidas do leste europeu, mas agora com uma pitada latino-americana (estou até agora tentando lembrar onde ouvi aquele som latino) , e tem até a Lady Gaga arriscando no espanhol. É uma faixa praticamente Espanglês.

“Hair”, a sexta faixa do CD, é o tipo de música que eu penso que mais se aproxima do pop que eu imagino. Traz além de uma batida dançante, um saxofone muito bom, além de um aha que faz você cantar junto. Uma das faixas que mais gostei do álbum.

Na sétima faixa, ”Scheiße”, a estranheza volta. Ela traz novamente os anos 90 que é ótima pra dançar, além, de um refrão igualmente dançante, e com ho-ho contagiante. ”Bloody Mary” começa com uma música bem conhecida para quem joga The Sims 3. Sabe aquela música do ladrão quando invade sua casa? Pois é. A faixa começa assim. E continua numa melodia que lembra os anos 90. Até que você chega num pedaço e jura que é a Madonna cantando num monastério. Será que os efeitos demais me fizeram viajar? Ah, ela termina com a mesma musiquinha do começo.

E agora começa a revelação roqueira do cd. Se antes o rock estava lá, mas estava escondido, em “Bad Kids”, a décima faixa do cd, ele começa aparecer logo início, mas logo dá lugar a mais uma batida super dançante. Essa faixa não possui muita coisa a se dizer, não traz nenhuma surpresa a não ser o começo. Muitos fãs apontaram faixa como uma forma de preencher o cd.

“Highway Unicorn (ou Road 2 Love) ” é mais uma das faixas que Lady Gaga começa logo cantando. A batida dançante do leste europeu está lá para se juntar aos anos 90 da Lady Gaga. No finalzinho temos de novo a sensação de estar sendo gravada dentro de um monastério. Mas agora é Gaga que está cantando mesmo.

“Heavy mental Lover” é super dançante e te leva novamente ao leste europeu, e traz um uhu super legal de cantar junto. É música para se jogar na boatchy.

Se Lady Gaga tivesse aceitado ir no Rock in Rio e cantasse “Eletric Chapel”, com certeza seria a cantora pop mais rockeira do festival. Primeiro você acha que seu player enlouqueceu e começou a tocar Guns N’Roses. Mas a confusão logo termina quando a batida dos anos noventa aparece e traz Lady Gaga cantando. Por toda a faixa você consegue perceber como Lady Gaga flertou muito com o Rock. Ouso dizer que ela chegou a levar o Rock para fazer um ménage à trois com os anos 90 dentro do monastério (os sinos tocando no final são um grande sinal!). Recomendo muito aos amantes do Rock – gente ela até faz um solo com batidas dançantes!

E a próxima é a fofinha “You & I”. Traz um tecladinho bonitinho, bom batidinhas muito singelas, além de novamente trazer o rock. Mas a mistura foi tanto, que em um ponto da música eu jurava estar ouvindo Shania Twain ou Lady Antebellum. Mas é claro que estamos ouvindo Lady Gaga! Referências existem, mas ela coloca sua marca impressa em todas as músicas que toca. E nessa não seria diferente. E aos rockeiros: tem solozinho aqui de novo!

E chegamos à última faixa, não menos estranha. “The Edge of Glory” que já está sendo trabalhada pela cantora (virou até comercial do Google), traz o pop misturado com as batidas já familiarizadas. Uma das minhas preferidas, e acredito que cumpre muito bem com o papel de fechar o álbum, reunindo nela tudo que já ouvimos até aqui. E trazendo um saxofone que faz lembrar muito o Kid Abelha dos anos 90 e muito gostosinho de se ouvir.

Born This Way definitivamente não é um CD vendável. Isto é, um CD feito apenas para vender. Se Lady GaGa pede para que nos libertemos, ela mostra com esse trabalho que qualquer libertação pede ousadia. Ousadia que ela teve e muito para lançar um CD que traz elementos já conhecidos, com uma estética que não agrada a maioria, e com uma sonoridade singular. Não é por nada que o CD está tendo uma divulgação enorme. Acredito que a gravadora esteja receosa deste trabalho prometer muito, mas vender pouco. A Billboard já se pronunciou: disse que há grandes chances deste álbum ultrapassar a marca do álbum 21 de Adele, o mais vendido do ano. Mas são apenas suposições, resta esperar as próximas semanas.

Se alguém me perguntar se esse CD é essencial para uma coleção de CDs do pop, eu diria que sim. Penso que a partir desse álbum teremos uma Lady Gaga mais madura e trazendo trabalhos ainda mais complexos.” Born this Way” foi apenas o começo do que ainda virá.


>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>UPDATE<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<


Com o lançamento oficial, surgiram mais três músicas: "Black Jesus - Amen Fashion", "Fashion Of His Love" e "The Queen". Acredito que elas são as mais pessoais do CD. Extremamente com a estética do pop (puxando num pop misturado dos anos 90 com o feito no começo dos anos 2000), as três faixas mostram todas as crenças e sentimentos de Lady Gaga.


Confesso que esperava mais das três músicas, mas nenhuma delas me impactou tanto quanto “Eletric Chapel”, ”Bloody Mary” e  “You & I”. A segunda inclusive não me sai da cabeça há uma semana.


É claro que quem ouve essas faixas vai achar algo de Madonna. Sim ela procurou o Pop do começo dos anos 90, e que será que bombou naquela época? "Black Jesus - Amen Fashion" vem com essa cara de Madonna, mas ao mesmo tempo nos situa no século em que estamos. Essa faixa, em particular, traz a crença de Lady Gaga e aquilo em que acredita.


Mas em "Fashion Of His Love" ela conseguiu a proeza de misturar Madonna e Cyndi Lauper. Mais um faixa pop que agora lida com a idéia que a cantora tem da moda.


Antes de ouvir "The Queen" li muito sobre essa faixa. Muitos elogiaram ela bastante e eu tive expectativas que como viram anteriormente, não foram alcançadas. Apesar de trazer uma mensagem bem legal de confiança ela se iguala as outras duas por causa batida. O único diferencial é a guitarra quase no fim, dando a sensação de que Santana está fazendo participação especial. 


Enfim, as três faixas acrescentadas são realmente um bônus para quem tem o CD original, mas acredito não serem tão surpreendentes quanto o resto do CD. Aliás, essas são as faixas mais "normais" do disco.





Um comentário:

Vr. Ironic disse...

adoei sua VISÃO DO CD! E COMO FÃ E LIBERTADA DE UMA SÉRIE DE TABUS E HIPÓCRITAS, CONSIDERO O CD MAIS PERFEITO DA GAGA!

COMPLETO, EMOCIONANTE, ELÉTRICO E CHEIO DE BOM SOM!

EM ARACAJU UMA BANDA CHAMADA [ALOKA'] GAGA COVER vem ganahdo espaço e concorre em um festival de cover!

SOMOS LOKOS' E MONSTRINHOS FIES A MAMA MONSTHER!
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